Frank Lloyd Wright… penso ser justo quando se associa este nome a uma das mentes mais brilhantes da arquitectura moderna. Um génio artístico, imprevisível e controverso que viveu muito além do seu tempo.
Wright afirmava que fora a sua mãe que lhe determinara a profissão. Ainda no seu ventre, resolvera que a criança seria um rapaz e que viria a ser um grande arquitecto. Durante a sua infância, ela incutiu-lhe essa convicção. Rodeou-o de beleza natural, descobriu jogos educativos e comprou-os para o seu filho brincar em casa. Mas Wright sempre considerou mais formativos os anos que passou a trabalhar na fazenda dos Lloyd, a família da mãe.
Com apenas 20 anos, Wright procura Louis Sullivan, um dos melhores arquitectos da época, esperando que este lhe desse emprego. Frank Lloyd Wright trabalhou com Sullivan durante quase 7 anos sendo afastado por aceitar trabalhos sem o consentimento de Sullivan. Resolveu então abrir o seu próprio atelier sendo o seu primeiro cliente William H. Winslow.
Wright começa então a desenvolver uma nova linguagem na arquitectura através das suas “casas da pradaria”, de silhuetas amplas, extensas, proporções baixas, estreitamente associadas ao solo, largas saliências, telhados com suave declive, e mais espaços abertos, delimitados apenas por pequenos truques arquitectónicos em vez de divisões e portas.
Logo nas suas primeiras obras, Frank Lloyd Wright manifestou um conhecimento minucioso e um respeito diligente pelos materiais vindos da natureza. A pedra, o tijolo e a madeira já à muito que eram cobertos, pintados, rebocados e alterados devido a modas ou gostos diferentes. Por isso, utilizou esses materiais da maneira que lhe parecia mais adequada à sua natureza, deixando que as massas de pedra se tornassem na característica do edifício, ou que os tons terrosos do tijolo, produto do forno, se erguessem em agrupamentos e formas que o glorificavam. E quanto à madeira, Wright a considerava o mais amado de todos os materiais, dizendo que "a madeira é de uma beleza universal para o homem, que adora estar associado a ela; gosta de a sentir na mão, é-lhe agradável ao tacto e ao olhar."
Na maior parte da arquitectura do século XIX não se ignoraram apenas os materiais naturais, mas também os materiais novos, como o betão, o aço, a folha metálica e o vidro. Wright pressentiu que esses novos materiais e os métodos de os usar seriam uma maravilhosa "caixa de ferramentas" para o arquitecto do séc. XX.
"A Natureza escreve-se maiúsculo, tal como se escreve Deus com um maiúsculo. A Natureza é tudo o que jamais conheceremos do corpo de Deus". Partindo desse ponto de vista, dessa veneração e, consequentemente, do seu respeito pela natureza, os edifícios de Wright integravam-se na paisagem deixando o ser humano experimentar e participar nas alegrias da beleza natura.
Frank Lloyd Wright designou a sua arquitectura de “orgânica”, uma expressão criada por Louis Sullivan. Mas foi muito além deste, no seu trabalho e na interpretação desta definição
A obra de Wright foi progredindo à medida que a sua criatividade se ia apurando. A partir do edifício de escritório administrativo e escultural, executado para a Larkin Company, construiu, trinta anos depois, o edifício administrativo, fluído, curvilíneo, leve e arejado para a empresa S. C. Johnson and Son. A partir da planta formal "tipo esfinge" do Hotel Imperial e dos "Midway Gardens", ele desenvolveu o conceito derradeiro de um espaço fluído, igualmente trinta anos depois, no Museu Guggenheim. Da simples casa de Thomas Gale, num terreno simples da pradaria do Midwest, em Oak Park, no ano de 1909, ele chegou à conclusão dos terraços em betão e pedra, prendendo sobre uma cascata nos desfiladeiros arborizados de Pensilvânia, na célebre casa de Edgar Kaufmann, que recebeu o nome de "fallingwater".
Frank Lloyd Wright foi sem dúvida um dos melhores arquitectos de sempre e fundamental para a evolução da arquitectura tornando-a diferente e arrojada, onde “a forma e a função são uma só”.